segunda-feira, 9 de abril de 2012

Harley-Davidson Road King Police: uma escolta estilosa

André Jordão Como seria pilotar uma motocicleta feita para a polícia? Sirene, luzes de perseguição e um alto falante, recursos que fazem os veículos a sua frente abrirem passagem, mesmo sem a habitual farda utilizada pelos homens da lei. Elas sempre chegam à frente nas ocorrências, ou simplesmente escoltam, cheias de estilo, personalidades importantes em passagem pelo Brasil. É comum vê-las pelas ruas ou em eventos importantes, mas, afinal, quais são as diferenças existentes nessas motos oficiais? E quem as utiliza? Para responder essas questões rodamos quase 300 quilômetros com a Harley Davidson Road King Police, pouco antes de ela ser entregue ao 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo. “Repare que ela tem uma bateria extra para funcionar as luzes, o alto-falante e a sirene e o banco é outro, muito mais confortável”, contava o funcionário da HD Brasil antes de me emprestar a Road King Police. Com essas simples palavras ele explicou toda a diferença entre o modelo original e a moto que chega às mãos dos nossos policiais. Motor Twin Cam 103 e ciclística O motor que equipa a Road King Police é o Twin Cam 103. Refrigerado a ar e com 1.690 cm³, esse propulsor atende bem aos anseios do motociclista estradeiro, bem como de uma escolta policial. Afinal, são 13,9 kgf.m já nas 3.500 rotações. Todavia, o nível de vibração é alto e, se não fosse o banco especial (com amortecedores pneumáticos) que equipa essa versão, o piloto sofreria ao longo dos quilômetros acumulados. A Road King Police ainda conta com transmissão de seis velocidades, acelerador eletrônico sem cabos e freios com ABS. Aliás, mesmo com a grife Brembo e o auxílio da eletrônica (ABS), os freios se mostraram pouco eficientes. O piloto sentirá necessidade de usar os quatro dedos da mão direita para frear o trem dianteiro da Road King e mesmo assim parece pouco. Os 375 kg em ordem de marcha exigem do condutor uma frenagem simultânea entre o disco duplo (com 300 mm de diâmetro e pinça fixa de quatro pistões) na dianteira e o disco simples (com 300 mm de diâmetro com pinça fixa de quatro pistões) na traseira. Já o conjunto de suspensões trabalhou bem. Tanto o garfo telescópico quanto a balança bichoque com dois amortecedores e molas ajustáveis respondem a altura dos grandes obstáculos encontrados pelas esburacadas ruas do Brasil. Mesmo na cidade, onde o asfalto é pior, as suspensões da Road King se mostraram eficientes, diferente dos freios. Patrulha eficiente, passeio com estilo A bordo da Road King o piloto (ou policial) não conseguirá mudar rápido de direção, nem realizar uma perseguição que exija reviravoltas e saltos, mas com certeza estará apto a escoltar as personalidades mais importantes do mundo — ou fazer um passeio cheio de estilo. O assento tem regulagem ajustável e os pneus contam com talões de retenção reforçados, projetados para permanecer na roda mesmo que ocorra perda repentina de pressão. Os comandos policiais, diferenciais dessa versão, são facilmente visíveis nos punhos de comando. Basta “acessar” o punho esquerdo e o direito para ligar as luzes de perseguição, o alto-falante, ou mesmo colocar a potente sirene para funcionar, o que fará todos ao redor olharem espantados e com um respeito incomum se tratando de uma motocicleta. Quem também contribui para o estilo imponente da Road King Police são as malas laterais. De fácil acesso, já que não são trancadas com chave, as malas são companheiras fiéis dos policiais, que deixam desde o bloco de multas, até a arma que pode ser usada na ocorrência. O baú traseiro não leva carga, apenas acomoda uma bateria extra, instalada para que o sistema extra de iluminação e sinalização não prejudique a partida do motor e o funcionamento da moto. A Road King Classic é comercializada no Brasil por R$ 56.000, mas, claro, não vem equipada com os acessórios da polícia. Motos da Polícia “Se não tivéssemos as motos, numa cidade como São Paulo, nós dificilmente conseguiríamos chegar até as ocorrências na velocidade que a população necessita”, diz o delegado supervisor Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) da Polícia Civil, Roberto Krasovic, explicando que além de chegar na frente, as motos organizam e posicionam as viaturas de quatro rodas da polícia. Com certeza as motocicletas são imprescindíveis no combate aos crimes, mas quais são os modelos mais utilizados pela Polícia Civil e Militar? Uma das motos mais utilizadas é a Yamaha XT 660R. Polícia Militar, Civil e o Comando de Policiamento de Trânsito do Estado de São Paulo dispõem deste modelo para realizar suas patrulhas. “Ficamos com duas motos da BMW para testes, mas hoje só temos a Yamaha XTZ Lander e a XT 660R”, explica o Major Joselito Sarmento de Oliveira Junior, chefe da Divisão do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran). Além das motocicletas da Yamaha, é comum ver pelas ruas modelos da Honda — como a XRE 300 e a XL 700V Transalp, por exemplo — e da própria Harley-Davidson, caso da Electra Glide Police. Ficha Técnica Harley-Davidson Road King: Motor 2 cilindros em V / 2 válvulas por cilindro Refrigeração A ar com radiador de óleo Capacidade 1 690 cm³ Alimentação Injeção eletrônica Potência máxima n/d Torque máximo 13,9 kgf.m a 3.500 rpm Câmbio 6 velocidades Transmissão final Correia dentada Partida Elétrica Comprimento total 2.400 mm Largura total 953 mm Altura total 1.400 mm Distância entre eixos 1.625 mm Peso a seco 355 kg Altura assento 735 mm Freio dianteiro discos duplos Brembo de 300 mm de diâmetro com pinça fixa de 4 pistões, ABS de série Freio traseiro disco simples de 300 mm de diâmetro com pinça fixa de 4 pistões, ABS de série Pneu dianteiro 130/90-16 Pneu traseiro 180/65-16 Suspensão dianteira garfo telescópico hidráulico com 41,3 mm de diâmetro e 117 mm de curso Suspensão traseira balança bichoque com dois amortecedores e molas ajustáveis, com 76 mm de curso