sábado, 5 de novembro de 2011

V MAX


A esperada apresentação dinâmica do novo modelo da Yamaha ocorreu em San Diego, nos Estados Unidos. Um grande número de jornalistas dirigiu-se até lá para testar a lendária V-Max. Um colega que estava ao meu lado acelerou ao máximo, em 2ª marcha, deixando no chão uma marca negra de 30 m. O motor é tão poderoso que — até o momento do corte da ignição — dá a sensação de que o pneu incendiará o asfalto. Esse detalhe define a V-Max: é uma moto para se divertir e um passatempo quase ilegal.

Estamos diante de uma máquina de 1679 cm³ com 201 cv declarados. Trata-se de um veículo que é uma combinação de custom, naked e esportiva. Não é fácil explicar em palavras a rapidez com que esta besta acelera. Tranqüilamente chega a 50 km/h, em 2ª marcha, e em um piscar de olhos alcança os 150 km/h.

A YamahaV-Max conseguiu um novo significado para o torque de motor. A aceleração que produz é sentida no corpo, não trata-se de uma motocicleta que tem uma potência sobrenatural, mas logo faz o piloto ficar indefeso. Deixando de lado a sua aparência custom, em seu peito bate um coração de esportiva. Assim, a supermáquina da Yamaha permite ir até os 150 km/h e depois frear com segurança, quando e onde quiser.
Mas é importante deixar claro que a V-Max foi desenvolvida para ser desfrutada principalmente em retas, só que não faz feio em outras ocasiões. É uma grande moto, seu conjunto funciona muito bem e a aceleração é praticamente capaz de arrancar-lhe os braços. Percebemos isso durante a nossa passagem por estradas no norte de San Diego.

Passamos um pouco do limite durante o teste, culpa da V-Max! A motocicleta instiga até o piloto mais equilibrado. Analisando friamente, pode-se achar que a Yamaha exagerou ao fabricar uma moto assim, só que ao acelerar a máquina, surge o desejo de parabenizar os seus criadores.

O projeto nasceu inspirado na antiga V-Max. O novo modelo assemelha-se bastante ao original, no que refere-se ao visual. Mas a Yamaha queria lapidar mais o produto, algo que foi possível graças a todos os avanços tecnológicos obtidos nos últimos 20 anos. A manobrabilidade foi melhorada, aumentaram levemente a potência e asseguraram que a posição de condução fosse mais confortável, mesmo assim, sem perder a lendária capacidade de aceleração do modelo — essência que tornou a primeira V-Max tão famosa.

Os engenheiros da marca dos diapasões partiram de uma folha de papel em branco, tendo como objetivo conseguir uma aceleração capaz de tirar o soluço e também uma posição de condução cômoda. O V4 de 1679 cm³ tem cerca 500 cm³ a mais que o modelo antecessor, mas, ao mesmo tempo, é 7 mm mais curto. Os cabeçotes atuais são menores, o que permitiu mover o motor para colocar mais peso sobre a roda dianteira.

A nova Yamaha V- Max não tende a levantar a roda quando queima-se o pneu traseiro a uma velocidade forte. As tomadas de ar também recordam a motocicleta que deu início à saga, mas agora o “air box”, ou caixa de ar, tem 13 litros de capacidade, sendo assim, o dobro do que possuía anteriormente. Uma centralina controla todo o motor, incluindo os dutos de admissão de comprimento variável. Em baixas rotações, medem cerca de 150 mm e, em altas, ficam por volta de 45 mm.

Essa maleabilidade traduz-se em uma ampla gama de torque, existindo a possibilidade de alcançar altas velocidades em todas as marchas. Uma injeção Mikuni encarrega-se de alimentar a besta, ficando no passado os carburadores de 35 mm.
Outro item que não falta é o acelerador eletrônico, o mesmo empregado em alguns modelos esportivos da marca. O sistema permite que um pouco de combustível alimente os corpos dos injetores reduzindo o freio-motor.

O câmbio de cinco relações é acompanhado de um cardã muito bem resolvido. A embreagem, com sistema antibloqueio, é hidráulica e permite grandes reduções, sem que a roda traseira seja bloqueada e a máquina perca o controle. O acionamento da manopla é um pouco duro, um preço a pagar por um propulsor com tanta força.

No conjunto das suspensões, contamos com um garfo de 52 mm, na frente, acompanhado de um monoamortecedor — na traseira. Uma moto com essa potência necessita de freios poderosos: dois discos Brembo de 320 mm com pinças radiais de 6 pistões. Além disso, estão acompanhados de sistema ABS — algo aconselhável a esta máquina. O freio traseiro mede 299 mm. Os Brembo destacam-se por sua potência e tato, sendo capazes de parar uma motocicleta com tamanho peso e força.

Os pneus são Bridgstone BT28, o traseiro é um enorme 200/50. O normal seria que a V-Max fosse um pouco deficiente na hora de realizar curvas, mas não é o caso. Os comandos de direção lembram mais uma esportiva do que uma custom. O assento do novo modelo é mais largo e cômodo, o que satisfará os pilotos mais altos. Para os mais baixos, existe um problema, neste caso, o jeito é sentar-se um pouco para frente. Desse modo, colocar os pés no chão não será um empecilho, com o assento de aproxidamente 1cm a mais na altura que o da antiga V-Max.

Outra mudança aconteceu em relação às pedaleiras, que estão mais baixas e recuadas, não comprometendo a distância livre do solo. Para tocar com os limitadores no no solo, o piloto tem de ir realmente rápido e não há por que preocupar-se em raspar o escapamento no chão. O painel do tanque tem muita informação: posição do acelerador, consumo, cronômetro… só que é difícil de ler, pois está demasiadamente baixo, junto ao tanque falso.

Se você gostava do visual original, vai se impressionar muito com a nova estética. Ela está bem similar à anterior, só que com uma aparência mais musculosa, algo que parecia impossível de alcançar. Assim, mantém um aspecto único que conquistou o coração de todos os seus fãs. Os novos radiadores modificaram um pouco a imagem da V-Max e é impossível de deixar os escapes passarem despercebidos. Outro detalhe chamativo são as entradas de ar cromadas.

Até aí tudo explicado, mas, com certeza, fica a pergunta: a que velocidade pode chegar esta supermáquina? Podemos dizer que a V-Max ultrapassou os 200 km/h em alguns trechos de estrada em San Diego. A motocicleta vem com um limitador de velocidade que entra em ação quando chega aos 220 km/h. Entretanto, o sistema não funciona quando percebe que o piloto foi ao limite em cada marcha como, por exemplo, em competições de aceleração. Assim, sua diversão não será arruinada.

A V-Max vem com eletrônica e outros componentes mais típicos de uma moto esportiva que em uma custom. Mas o que realmente a afasta das custom é a sua potência. Não é uma MotoGP, mas chega perto. Uma coisa que podemos assegurar é que não se parece com nenhuma moto que já tenha pilotado antes!