domingo, 30 de outubro de 2011

DICAS DE ESTRADA PARA MOTOCICLISTAS AVENTUREIROS



O pneu furou?
Uma das dúvidas mais freqüentes é o que fazer se o pneu furar. Existem alguns recursos no mercado e algumas precauções que devem ser tomadas. Recomendamos, antes de mais nada, nunca pegar a estrada com pneus carecas ou em mau estado de conservação pois seu itinerário ou viagem pode acabar mal. Para pneus com câmara de ar, existem alguns produtos no mercado e são facilmente encontrados em lojas de acessórios para moto: são sprays de ar comprimido que juntamente com uma solução especial enchem e vedam o furo. Quase sempre funcionam, mas são inúteis se o furo for grande ou na lateral do pneu. A desvantagem é que a solução fica na câmara e dificulta a colagem ou remendo do furo. O único recurso é trocar a câmara.
Existem outros produtos que são colocados antes do pneu furar, mas sua eficiência é duvidosa. Você pode optar por sempre levar um kit de reparo contendo espátulas, cola, bomba e lixas. Lembre-se que para fazer o reparo de um pneu é necessário um pouco de técnica, pois do contrário, você pode destruir sua câmara. Para pneus sem câmara de ar, são as mesmas recomendações do pneu com câmara, só que o kit de reparo é diferente, pois contém as buchinhas para colocar no furo.
Nas viagens
Durante viagens longas, sua moto vai precisar de manutenção, pois o desgaste das peças e engrenagens é muito maior. É necessário verificar a cada 500 km o nível do óleo do motor, a lubrificação e a tensão da corrente. Sempre que parar para abastecer, verifique se os pneus precisam de calibragem. Cuidado com a disposição da bagagem e a tensão das amarras, pois elas podem se soltar durante a viagem. Sugerimos um kit básico, que poderá resolver a grande maioria dos problemas com sua motocicleta.
Peças: cabos do acelerador, freios, embreagem. Fusíveis, lâmpadas para o farol, lanterna e setas. Câmaras de ar sobressalentes (importante pois o reparador de câmara danifica as câmaras de ar). Velas de ignição. Corrente usada.
Utensílios: elástico extra para bagagem, canivete ou faca, rolo de fita isolante. Um pequeno pedaço de fio e um de arame fino. Lanterna pequena. Um pequeno conjunto de parafusos, arruelas e porcas. Roupa impermeável (importante). Pequeno frasco tipo dosador com óleo de motor para lubrificar a corrente.
Para o camping: sacos de dormir, barraca, sabão, escova, toalha, desodorante, repelente, cantil, marmitas, facão, etc.
A armadura: jaqueta e botas de motociclista, luvas de couro sem forro (absorvem o suor e mantêm as mãos frias). Calça de couro ou calça jeans velha (depois de um dia inteiro de viagem sua calça nova pode desmanchar). Capacete fechado. O capacete aberto é mais charmoso mas é inviável devido à chuva, insetos, poeira, pedras e pássaros. Caneleiras, se for viajar por terrenos arenosos, com cascalho ou britas.
Não leve: mochilas nas costas, pois elas causam cansaço e “caem” nas curvas. Excesso de bagagem. Excesso de peso.
Cuidados: procure não desrespeitar a velocidade limite pois um tombo longe de casa pode estragar sua viagem. Cuidado com o garupa: procure levar na garupa pessoas preparadas pois ele vai sofrer um cansaço físico maior que você. Evite viajar durante a noite.
Lubrificação da corrente: Todas as marcas recomendam que a cada 500 km você lubrifique a corrente, isso evita o desgaste excessivo apesar de sujar bastante a roda traseira, mas é mais barato limpar a moto toda semana que trocar um conjunto de relação que pode chegar a US$ 700,00 em algumas motos importadas. O lubrificante mais recomendado é óleo 90 (altamente viscoso), alguns preferem graxa náutica que é branca e não sai com água.

Calibragem dos pneus: Manter a calibragem dos pneus correta pode fazer a diferença entre estar em condições de fazer uma curva ou “seguir reto”. As motos com pneus entre 170 a 190 (traseiro) quando usadas sem garupa devem usar de 38 a 40 libras (pneu quente).
OBS: O pneu quando aquece pode por dilatação do ar, aumentar a calibragem em até 8 libras, isto significa que um pneu calibrado frio e usado em condições quentes como uma viajem com mais de 45 minutos a uma temperatura ambiente de 20° C pode chegar a 48 libras, deixando seu pneu muito duro, perdendo sua aderência quando você mais precisa, nas curvas. Já o dianteiro deve usar 4 libras a menos que o traseiro pois seu volume cúbico é menor. Se você preferir utilize Nitrogênio para calibrar, pois ele tem um ponto de dilatação mais elevado e isto mantém mais estável a calibragem. Resumindo: quando você for andar na cidade, calibre no máximo, mas quando for para estrada, lembre de acertar sua calibragem para menos, mantendo a melhor performance dos seus pneus.

Troca dos pneus: Quando você for trocar um pneu tenha alguns cuidados básicos: Procure sempre trocar em máquina de montagem, especialmente se for rodas raiadas. Após a troca, lembre-se que todo pneu vem de fábrica com uma camada de cera bastante escorregadia e tracionar ou forçar uma curva é tombo certo! Mas como evitar isso? Se for pneu dianteiro, use uma lixa grossa de qualquer tipo e passe em toda banda de rodagem; Se for traseiro, vá até uma área de areia ou cascalho fino e dê uma patinada com no mínimo duas voltas no pneu e estará limpo, a areia funcionará como lixa. Quando trocar? Geralmente os pneus originais aguentam em torno de 10.000 km nas esportivas e 12.000 km nas customs, mas independente disso, se você perceber que os pneus estão quase sem friso na faixa central, não hesite, troque-os. Outra maneira é se caso você começar a perceber que a moto está um pouco instável especialmente em curvas, examine primeiro a calibragem. Se estiver correta, então desconfie do desgaste dos pneus. Como escolher o pneu certo? Há vários tipos de pneus, alguns mais duros que duram mais e são menos eficazes quando usados no limite e outros mais macios que duram menos, mas que são “verdadeiros chicletes” no asfalto. Pense em como você usa sua moto e faça a escolha certa.
Parafusos em geral: Sempre que lembrar, dê uma geral nos parafusos de carenagem, rodas, suportes, etc. A alta vibração provocada tanto pelo motor quanto pelo tipo de calçamento afrouxam sistematicamente os parafusos, portanto não deixe de manter sua moto sempre justa.
Óleo lubrificante: Uma manutenção ideal é aquela em que você troca de óleo a cada 3.000 km e filtro a cada 6.000 km. As motos que andam em alto giro, quebram mais rapidamente as moléculas do óleo e por isso ele afina rápido, tornando necessária sua substituição. (entenda-se giro alto como 6.000 a 14.500 rpm). O mais recomendado para altos giros é o 20/40 e nas motos que andam com giro mais baixo pode-se usar até o 20/50 o mesmo usado nos carros em geral. Controle sempre o nível do óleo e acompanhe o “som do motor” ele revela muita coisa para você. Às vezes, você percebe o nível baixo do óleo pelo barulho excessivo das engrenagens, algo distinto do que você acostumou a ouvir.
Gasolina no tanque: Os mecânicos de competição no Brasil recomendam que se use gasolina comum a maior parte do tempo, não adianta usar gasolinas especiais com maior octanagem, pois o rendimento na cidade e na estrada é imperceptível. O aconselhável é usar de vez em quando na estrada um ou dois tanques de gasolina aditivada para descarbonizar o motor e limpar as partes móveis. Manter o tanque sempre cheio evita que se formem gotículas na parte superior do tanque. Essas gotículas quando permanecem por muito tempo, tendem a formar ferrugem no tanque provocando oxidação das partes móveis de bomba, carburador, etc. Por isso, mantenha sempre o tanque o mais cheio possível o que evita também que a bomba receba sujeira ou água. Já que a água é mais pesada que a gasolina, ela sedimenta no fundo do tanque e quando você anda muito na reserva, ela vai para o motor e começa aquela sessão “falha tudo”.
Bateria: Examine pelo menos uma vez a cada seis meses o nível da água da bateria, mas se caso sua bateria começar a dar sinal de vida, isto é, o farol enfraquece em marcha lenta, pisca junto com a sinaleira ou acende quando você acelera, pode procurar um posto e completar o nível da solução. Caso nada disso funcione, procure a loja mais próxima e troque-a, pois essas motos sem pedal de arranque são pesadas para empurrar mais de uma vez!
OBS: Se você for viajar e deixar a moto muitos dias sem ligar, desligue o pólo (-) negativo da bateria por segurança e por precaução contra uma possível descarga da bateria.
Moto no descanso Central: As motos com motor em linha, (cilindros um ao lado do outro) que tem carburadores um ao lado do outro devem preferencialmente ficar no descanso central. Essa medida serve para manter a equalização dos carburadores, pois quando a moto está no descanso lateral, por gravidade, os carburadores ficam com níveis variados de combustível facilitando a perda da equalização, responsável pelo funcionamento equilibrado de todos os cilindros. Caso a sua moto for ficar mais de três ou quatro dias sem funcionar, opte por usar o cavalete central. No caso de esportivas que não possuem este, compre um cavalete de oficina que suspende a roda traseira.
Capa da moto: Jamais coloque a capa quando a moto ainda estiver com o motor quente. Além do risco de incêndio por tocar em partes super aquecidas, ainda há o fato da capa fazer a moto “suar” e, com o tempo, oxidar partes metálicas.