quinta-feira, 15 de setembro de 2011

CORAÇÃO EM V



“O coração pulsa mais forte, bombeando para o resto do
corpo uma mistura de óleo, gasolina e asfalto. O dia amanhece e as
estradas da vida aguardam ansiosas por seus maiores amantes. Por dez,
cem ou até mesmo mil quilômetros, a adrenalina e a brisa no rosto tomam
conta daqueles que fazem do viver sobre duas rodas o seu estilo de vida.
Um botão da inicio a aventura para aqueles que a buscam, seja debaixo
de chuva ou com Sol a pino, o que faz de você um motociclista não são as cilindradas que você pilota, mas as suas atitudes quando está em cima delas.

A mão vira o acelerador e o motor ronca alto, jogando ainda
mais alto todo o estresse e as preocupações do dia a dia. É no espaço de
tempo entre a partida e a chegada que o motociclista faz o que mais
ama, ou seja, percorrer o desconhecido atrás de novos lugares, novas
amizades e novos rumos, sempre atento a sua segurançae a daqueles que, assim como ele, prezam muito pelo chegar bem e não pelo chegar mais rápido.
De brasão nas costas, alforjes carregados, capacete e tanque cheio, o que vale é a liberdade, o prazer depilotar
e a quantidade de mosquitos grudados na jaqueta ou no colete,
misturados aos mais variados de inúmeros encontros e lugares visitados.
Não somos bandidos, não nos julguem injustamente, somos apenas
aventureiros, muitos até pais de família, que fizeram de uma paixão o
seu estilo de vida. Somos médicos, advogados, vendedores, programadores,
publicitários e empresários de todos os ramos que você possa imaginar.
Somos rock and roll e cerveja gelada, chuva fria, sol e praia, pilotos
de motos, churrasqueiras e carrinhos de bebês.
Somos motociclistas, não tentem nos entender, nos ame ou nos odeie,
não importa, seremos sempre assim, uns loucos outros corretos, caseiros e
sem tetos, famílias e puteiros, som alto e som ainda mais alto. Não nos
imponham regras, não delimitem nossos espaços, não somos pássaros, mas
queremos, e vamos voar sempre.
Motor em ponto morto, a chave gira e as luzes se apagam, o
pezinho sustenta agora aquilo que nos levou por tantos quilômetros. Por
um breve momento o capacete é deixado de lado, apenas por um breve
momento…”